Televisão em pauta

Televisão em pauta

7 de outubro de 2019 0 Por Felipe Roza

Marcelo Cosme, jornalista com cerca de 20 anos de profissão começou sua carreira na RBS, passou pela Band e chegou à Rede Globo para trabalhar como repórter em Brasília. Hoje, apresenta o programa “Em pauta” da GloboNews e aos sábados o “Jornal Hoje” na TV Globo. O jornalista ministrou uma palestra na manhã desta segunda-feira (07), na Escola Superior de Propaganda e Marketing. O evento faz parte da segunda edição da WeekUp, a semana das profissões da ESPM-Rio, que busca discutir as novas tendências do mercado nas áreas de jornalismo, cinema, design administração e publicidade. 

A palestra “A transformação da televisão na contemporaneidade” abordou, com foco no telejornalismo, os novos caminhos da televisão que, diante da competição com a internet, precisa se aproximar do público e os desafios dos jornalistas na atualidade. O Portal de Jornalismo, buscando saber mais, entrevistou Marcelo. 

Portal: Qual é a diferença de apresentar um jornal como o Jornal Hoje e o Em Pauta, da GloboNews?

Marcelo: O Jornal Hoje é um jornal mais de notícias, então a gente sempre lê a chamada das notícias uma atrás da outra. O Em Pauta é um jornal de análise, então a gente traz uma notícia e fica discutindo ela às vezes 8 ou 10 minutos sobre o que aconteceu. A grande diferença é que Jornal Nacional, Bom Dia Brasil, ou os jornais da própria Globo News são jornais que a gente traz a notícia e não têm uma análise tão grande quanto no Em Pauta, porque o Em Pauta é um jornal de análise, a prioridade é a análise.

Portal: Qual é a principal diferença na preparação para ser um repórter e para ser um apresentador?

Marcelo: A gente nunca deixa de ser repórter, independentemente de ser apresentador ou não. O repórter e o apresentador têm mais ou menos a mesma preparação, de você se informar do que está acontecendo. Quando eu era repórter em Brasília eu cobria o STF, então eu sabia que eu tinha que saber o que estava acontecendo no Supremo, o que aquele julgamento podia representar, então eu ficava mais focado num assunto. Quando você é apresentador você precisa ler, é claro que não de forma tão aprofundada como você faria em uma reportagem específica sobre vários assuntos, então a diferença é um pouco essa, você se informar de tudo e de uma questão específica, porque ser apresentador exige que você saiba tudo que vai estar no jornal.

Portal: Você acha que há necessidade de o jornalista possuir uma outra formação ou especialização?

Marcelo: Não vejo necessidade de dizer que o jornalista precisa ser especializado em uma área específica e para isso precisa fazer uma universidade, um outro curso. Por exemplo, o cara que cuida de economia ter que ser formado em economia, é claro que se ele for formado em economia vai ajudá-lo a reportar e lidar com esse assunto melhor, mas eu não vejo necessidade disso. 98% dos meus colegas, se eu arriscar até 99%, não tem duas universidades, dois cursos diferentes, eles têm a formação do jornalismo, que exige você cobrir qualquer tipo de fato, qualquer tipo de notícia, seja um acidente de trânsito ou uma decisão no supremo tribunal federal.   

Portal: Como a TV pode se conectar com as pessoas, em comparação à internet que é um meio muito mais interativo?

Marcelo: A televisão tem esse grande desafio de se aproximar das pessoas que tem o smartphone na mão e conseguem se informar a todo momento, por isso que a gente tenta ser mais informal na medida do possível para que a gente mostre para as pessoas que a gente está falando na linguagem delas. Então a TV está passando por um processo de transformação de linguagem para que a gente possa se aproximar. O grande desafio de televisão hoje em dia é se conectar com essa velocidade, uma linguagem que traga essas pessoas que estão na internet também para a televisão.

Portal: Como manter o público mais velho e mesmo assim estimular os mais jovens a assistir também?

Marcelo: O ponto de partida para tudo é a credibilidade na informação, você tem que ter uma informação precisa e de credibilidade para o público tradicional e para o público mais novo. É você saber mesclar: você tem que respeitar o público que assiste há muito tempo sabendo que é um cara que está em busca da informação e também esse cara novo que quer uma coisa mais descolada. Hoje a gente tem um exemplo muito forte disso que é o G1 onde entram jornalistas mais novos com roupas diferentes. Então você está atendendo o público da internet, mas também traz uma informação que aquele público tradicional vai consumir, sabendo que mesmo que com um estilo diferente daquele que ele estava acostumado com jornalistas tradicionais, o cara está em um lugar que tem credibilidade.

Reportagem: Felipe Roza e Yan Lacerda.