Campanha Setembro Amarelo busca prevenir suicídio

Campanha Setembro Amarelo busca prevenir suicídio

30 de setembro de 2019 2 Por Mônica Mourão

Por Equipe Colégio Recanto*

Trinta e dois brasileiros em média se matam por dia e 96,8% dos casos de morte por suicídio é por falta de tratamento adequado dos transtornos mentais. Os dados são do Centro de Valorização da Vida (CVV), uma das organizações responsáveis pela campanha Setembro Amarelo. Durante o mês que se encerra hoje, houve ações em diversos lugares do Brasil, como um evento em Curitiba, no Dia Mundial de Prevenção do Suicídio (10 de setembro) e um cineclube com a exibição do filme “Capitão Fantástico” em Campina Grande, na Paraíba.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), nove em cada dez mortes por suicídio podem ser evitadas. Para a OMS, as melhores formas são educação, através de debates para quebrar tabus e evitar perdas de interesse, descuidos etc. Além disso, a pressão escolar é um fator alarmante para tendências suicidas, e o diálogo é a melhor forma de solucionar esse problema. A instituição costuma fazer ações em escolas para conscientizar alunos e ajudar na prevenção.

foto: Vicente Torres

Profissionais do ramo educacional percebem que alunos sofrem constantemente com a pressão feita por diversos integrantes da sociedade presentes na vida desses estudantes. “Nossos alunos vivem uma realidade muito distante do que se espera”, disse Eliane Moraes, coordenadora pedagógica de uma escola estadual do Rio de Janeiro. Entre esses estão a família e o caos social em que o país se encontra. “Os nossos alunos estão sendo bombardeados por problemas que são gerados, não só externamente, mas interiorizados nas questões familiares”. Além disso, eles podem causar consequências na vida pessoal, estudantil e profissional desses jovens. A depressão e a ansiedade são exemplos de doenças encadeadas por essa coerção.

A estudante Mariana (nome fictício), de 15 anos, já passou por um processo de depressão, entre 2017 e 2018. “Eu sou uma pessoa que pode falar sobre o assunto com propriedade, até porque eu consegui superar isso e seguir em frente. Acho que sou uma prova de que por mais que as pessoas tenham algum problema, alguma dificuldade, que elas podem superar isso”, contou.

Segundo as pesquisadoras Raquel Ayres de Almeida e Lucia Emmanoel Novais Malagris, pós-graduadas em psicologia pela UFRJ, aumentou o interesse por atendimento psicológico no Brasil. Segundo elas, a intervenção de profissionais de Psicologia pode colaborar com a prevenção e o enfrentamento de doenças. Mas a atuação de pessoas de outras áreas também é bem-vinda. Através do CVV, por exemplo, 3 mil voluntários prestam serviço voluntário e gratuito 24 horas por dia, através do número 188.

De acordo com Mariana, é necessário conscientizar as pessoas sobre suicídio o ano inteiro. “Não adianta você levantar a bandeira amarela apenas em um mês, quando nos outros meses não se importa e faz críticas a pessoas que tem problemas em relação à sua saúde mental”, disse ela.


*Ana Lourdes Grossi, Caio Fernandes, Cintya Amaral, Júlia Brügger, Manuela Duarte, Rodrigo Guimarães e Vicente Torres