Um Pré-Vestibular diferente

Um Pré-Vestibular diferente

19 de abril de 2019 1 Por Maria Luísa Martins

O curso pré-vestibular é a ponte que liga o estudante a universidade e tem como objetivo desenvolver e aprimorar conhecimento ao aluno para que ele possa obter os resultados desejados. Pensando nisso, Leandro Ferreira, 29 anos, teve a ideia de criar o “Seja Mais”, um pré vestibular comunitário da PUC-Rio. O curso foi criado no final de 2016 e desde então tem provocado transformações positivas na vida de jovens e adultos.

O diferencial do projeto é que todos os professores, na verdade, são estudantes voluntários da universidade, que se disponibilizam a dar aula e fazer plantões de dúvidas. O coordenador afirma que ser professor de pré-vestibular comunitário e adquirir contato com a docência permite a experiência ímpar de compartilhar e ganhar conhecimento. “Quando você ensina, você também aprende. O nosso projeto é um terreno fértil de transformação de vida”.

Leandro diz que um pré-vestibular comunitário é uma ação afirmativa que visa diminuir um pouco das lacunas deixadas pelas políticas públicas. O princípio de dignidade humana é poder ter acesso a educação e, infelizmente, muitas pessoas ainda são privadas de adquirir conhecimento através do ensino básico até o superior. Entretanto, há uma certa dificuldade em manter o projeto, por conta da falta de materiais didáticos suficientes para todos. A solução foi a produção desses materiais serem feitas pelos professores como uma forma de profissionalização. “Não é fácil criar uma ficha de estudos, atividades, provas e simulados. Então, os voluntários têm esse dever de produzir todo o material, enquanto a universidade faz a reprodução em papel”.

Joana Regadas, 19 anos, professora voluntária do projeto conta como foi sua experiência em dar aula para pessoas com deficiência. “Eu acabei pegando uma turma onde tinha duas deficientes visuais, uma menina era mais nova, a Paloma, e a outra era um senhora de idade, a Dona Paulina. Dar aula de redação para elas foi um divisor de águas para mim, porque eu entrei em contato com uma realidade que é bem distante da minha. Apesar da limitação da Dona Paulina, ela se empenhava muito nas aulas, então eu aprendi mais com ela do que ela comigo”. A estudante de Direito relata que o projeto a trouxe um senso maior de humanidade e ela pôde ter outra visão de mundo.

Reportagem: Larissa de Oliveira e Maria Luísa Martins