O auge da crise econômica e as incertezas da Argentina

O auge da crise econômica e as incertezas da Argentina

19 de setembro de 2018 0 Por Davi Barbosa
  • Reportagem de Giuliano Cosenza e Yuri Murta

A economia argentina passa por uma das maiores crises da sua história. Quando Mauricio Macri assumiu o poder, adotou como compromisso de campanha controlar o déficit fiscal. A medida implementada acabou com as restrições ao dólar, mas isso não impediu o preço da moeda disparar. Após o anúncio do fim da política econômica, no dia 16 de dezembro de 2015, o peso argentino já saltou de 9,83 para 39,40. Como consequência do maior valor do câmbio da história argentina, a cúpula ministerial sofreu uma reforma.

A Argentina sempre teve sua moeda volátil em relação ao dólar. A crise começou na década de 70, durante o governo do general Jorge Videla, e não passou até hoje. Governos de esquerda e de direita já tentaram resolver o problema econômico no país, mas em vão. Na opinião de Ricardo Maugeri, comerciante de Buenos Aires, de 52 anos, as políticas econômicas sempre foram equivocadas: “Os governos, por incapacidade própria, seguiram políticas econômicas equivocadas, sejam elas mais conservadoras, liberais ou populares”. Depois do regime militar a segunda grande instabilidade financeira foi em 2001, no governo de Néstor Kirchner, quando o presidente deu o maior calote da história: 100 bilhões de dólares.

Na política cambial argentina, o dólar é determinante para a variação dos preços. De acordo com o correspondente internacional Ariel Palacios, todos compram a moeda, como medida de proteção financeira: “Na Argentina não é como no Brasil em que apenas os mais ricos adquirem dólar. Do padeiro até o empresário, todos compram”, afirmou. “Então com qualquer variação brusca do câmbio os preços sobem”, finalizou.

Mascaras de dólar marcam as manifestações na Argetina. Foto: Eitan ABRAMOVICH / AFP

Bianca Lyra Leal, brasileira de 44 anos, que vive há 5 meses em Buenos Aires, contou um pouco de como a crise afeta o cotidiano da vida argentina. “Todos nós sentimos diretamente nas despesas diárias. Os preços oscilam com muita frequência, tanto que nas vitrines das lojas não tem preços porque são ajustados praticamente todos os dias”, explicou Bianca. Ela exemplificou esta mudança de preço citando que, em junho, para abastecer o tanque do seu carro, pagou $1.400 pesos. Já nesta terça-feira (18), para completa-lo no mesmo local, teve que gastar $2.150.

No cenário atual, o presidente Macri foi eleito com o discurso anti-Kirchnerismo, ou seja, contra uma ideia populista de governo que imperou durante 12 anos na Argentina. Mas o empresário jamais prometeu privatizações ou políticas mais liberais, apesar de se portar contra a esquerda. De acordo com Maugeri, o presidente está em baixa com a população. Apesar de ainda ter apoio de parte do empresariado local, o dos setores políticos é incerto para as próximas eleições.

De acordo com a grande imprensa argentina, o mercado financeiro está pressionando o governo para adotar novos ajustes na economia. Para se reeleger, o presidente precisa dar um sinal à população de que a situação financeira está melhorando. Politicamente ele também se encontra pressionado, uma vez que precisa de apoio da oposição para aprovar um novo pacote de medidas para a economia.