Milla Dantas e Luciana Avellar falam sobre trajetória feminina na fotografia brasileira

Milla Dantas e Luciana Avellar falam sobre trajetória feminina na fotografia brasileira

30 de agosto de 2018 0 Por Eliza Cunha
  • Reportagem de Eliza Ranieri e Diana Campos

 

As fotógrafas Milla Dantas e Luciana Avellar estiveram presentes no terceiro dia da Week Up – Semana das Profissões na ESPM – Rio. Nesta quarta-feira (29), elas contaram um pouco dos desafios da trajetória feminina na profissão, destacando a importância do feminismo e contando a história do movimento “Fotógrafas Brasileiras”, do qual fazem parte.

Milla Dantas e Luciana Avellar falam do papel da mulher na fotografia. Foto: Diana Campos

 

A palestra teve início com Milla, fotógrafa e historiadora, que apresentou dados que indicam a violência contra a mulher no Brasil, dizendo que nunca se matou tanto no país. Ela exibiu seu projeto “Transformar Silêncios”, feito por 74 mulheres e falou sobre o machismo em sua área. “A narrativa da história é tipicamente masculina. Não é diferente na história da fotografia”, disse.

O desafio de resistir ao machismo também é realidade para Luciana Avellar. Para ela, as coisas melhoraram em relação aos anos 90, mas ainda está longe do ideal. “Tem assédio ‘brabo’. Coisas que a gente era obrigada a passar por cima porque senão não fazíamos nada. Hoje em dia, o próprio cara ia pensar duas vezes porque o assunto está começando a vir à tona”, contou. Ainda segundo a fotógrafa e documentarista, essa melhora é consequência das redes sociais.

A internet e suas mídias tiveram grande papel no surgimento do coletivo “Fotógrafas Brasileiras”. As palestrantes contaram que 138 fotógrafas se juntaram para tirar uma foto no Teatro Municipal. Elas perceberam que compartilhavam as mesmas dificuldades na área e resolveram criar o movimento. “Nós questionamos as desigualdades e assédios sofridos no trabalho e na vida por sermos mulher”, explicou Milla.

O movimento se sustenta pela união das profissionais e, segundo as palestrantes, elas se tornaram uma espécie de ‘rede’ para fortalecer outras mulheres. “Nós temos a missão de tentar resgatar a história das fotógrafas. Dentro do ambiente fotográfico, é notório que os homens têm, de partida, dez passos na frente da gente. As mulheres sofrem diversas opressões que eles não sofrem em sociedade”, falou a historiadora.

Nesse cenário, para Luciana, o feminismo é necessário para combater essas opressões. “É sempre esse social definido do que a gente pode ou não fazer. A gente está aqui para tentar mostrar que podemos fazer qualquer coisa”, desabafou. A fotógrafa agora está migrando para o cinema e exibiu para os alunos o trailer de seu primeiro documentário, “Vida de Rainha”, que fala sobre drag queens e transformistas.

Ao responderem as perguntas dos alunos, as palestrantes disseram não saber qual é o futuro da mulher na sociedade e na fotografia. Mesmo assim, elas encorajaram e aconselharam as mulheres presentes na palestra que desejam trabalhar na área. “É preciso que resistamos”, disse Milla.