Dia Internacional da Dança: falta de valorização da arte no Brasil

Reportagem de Bárbara Beatriz e Lorena Leal

O Dia Internacional da Dança é comemorado mundialmente em 29 de abril. A data foi escolhida pelo Comitê Internacional da Dança (CID), da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), em 1982, por marcar o nascimento de Jean-Georges Noverre, um grande mestre que revolucionou a arte ao decidir atribuir expressividade corporal e facial a ela. No entanto, no Brasil, tanto a dança quanto diversas outras expressões artísticas não são valorizadas. No início do mês de abril foi anunciado pela atriz Isabella Santoni que uma das pautas do STF (Supremo Tribunal Federal) discutiria o fim do DRT, registro que caracteriza a profissão de artista. A votação estava marcada para o último dia 26, porém foi adiada e não há previsão de nova data para acontecer.

Por conta disso, muitos dançarinos preferem sair do Brasil para exercer a profissão. Eles acreditam que a arte é mais valorizada internacionalmente e que no exterior terão mais chances de obter reconhecimento no que fazem. Leticia Dias, de 21 anos, é uma das brasileiras que decidiram buscar sucesso com a dança em outro país. Hoje, ela trabalha em uma das maiores companhias do mundo, a Royal Ballet, em Londres, e acredita que não há muito interesse do governo no investimento da arte. “A profissão bailarina nunca foi e é provável que, infelizmente, nunca seja muito reconhecida no Brasil”, lamenta.

Beatriz Miranda, de 18 anos, também decidiu levar o seu talento para fora do Brasil. A jovem ganhou uma bolsa de estudos para o Miami City Ballet e realizou seu sonho de dançar em uma escola estrangeira por dois anos. “Eu comecei a fazer ballet por uma orientação do meu psicólogo para diminuir minha hiperatividade, mas quando eu dancei meu primeiro solo na ponta foi quando eu senti que amava aquilo e queria dançar pro resto da minha vida”, relata. Beatriz voltou para o Brasil faz poucos meses devido a três ligamentos rompidos no tornozelo, mas disse que isso não iria atrapalhar seus projetos em relação à carreira. “Meus planos são voltar pra o exterior e entrar em uma companhia lá”, diz. Além disso, a bailarina pontua a diferença de salários entre os âmbitos nacional e internacional. ” A economia lá funciona, o que faz o pagamento dos bailarinos serem bem mais altos do que aqui até nas companhias menores”, afirma.

A vontade de iniciar uma carreira internacional também atingiu a pequena bailarina de apenas 12 anos, Luciana Sagioro. Ela saiu de seu estado, Minas Gerais, há pouco mais de um ano, e veio para o Rio de Janeiro em busca de mais preparo para que um dia pudesse ocupar, assim como Letícia Dias, uma vaga no Royal Ballet. “Eu vejo a dança como algo que vai ser o meu emprego, eu quero me sustentar pela dança fazendo aquilo que eu amo”, contou a menina, que já foi vencedora do prêmio Melhor Bailarina da categoria Meia Ponta do Festival de Joinville 2017 e também do Solo de Repertório da mesma divisão.

 

A bailarina Luciana Sagioro durante treino de ballet clássico |  Foto: Bárbara Beatriz

A professora de ballet da escola Petite Danse e ex-bailarina do Ballet de Stuttgart, Patrícia Salgado, aconselha aos que desejam tornar-se bailarinos profissionais que não se iludam com ofertas de caminhos fáceis. “Cerque-se de pessoas que saibam ensinar a você a seguir esse caminho, pessoas que te deem base e que possam caminhar junto com você”, diz. Além disso, ela afirma que é muito fácil se perder na busca pelo reconhecimento e que, muitas vezes, quando os bailarinos se dão conta de que estão trilhando o caminho errado, é tarde demais para que voltem atrás. “É importantíssima a presença de bons profissionais junto àqueles que buscam o sucesso”, finaliza.

 

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