No Dia Internacional da Síndrome de Down, inclusão ainda é desafio

Reportagem de Bárbara Beatriz e Lorena Leal

“Incluir não é só deixar perto”, disse a fonoaudióloga Dharana Gaia, que trabalha com crianças com necessidades específicas. Ela se refere ao fato de que não basta a presença de alunos especiais em sala de aula, se os colégios não têm os profissionais qualificados para recebê-los. Hoje, no Dia Internacional da Síndrome de Down, o alerta foi feito pela profissional que costuma acompanhar seus pacientes em sala de aula.

Shaula Sampaio, de 41 anos, é mãe de uma criança com Síndrome de Down de um ano e cinco meses. Ela defende que seu filho, Martin, deve estudar em escolas regulares. “Instituições especializadas não são inclusivas. É importantíssimo promover uma sociedade diversificada. Não apenas quem tem alguma deficiência, mas sobretudo quem não tem. Para entendermos que somos todos diferentes e a diferença não é entrave, mas oportunidade”.

A também mãe de um menino com a condição genética, Ana Paula da Silva, de 39 anos, acrescenta que seu filho “aprende muito com essa convivência com os amigos, que são espelho para ele”. Ana Paula afirma que as outras crianças aprendem com seu filho a respeitar o ritmo de cada um. “Em resumo, a aproximação das crianças é um processo super natural”.

A data foi escolhida pela Down Syndrome International por ser escrita como 21/03, que faz alusão à trissomia dos cromossomos do par de número 21. Este dia consta no calendário oficial de todos os 193 países que fazem parte da Organização das Nações Unidas (ONU).

Embora este seja o 12º ano de instituição da data, os pais dessas crianças ainda sentem o peso do preconceito. “Fazer a sociedade enxergar que meu filho não é a síndrome de Down. Esta é só mais uma dentre as características que ele tem e não define quem ele é”, responde Ana Paula sobre a questão das dificuldades de ser mãe de uma criança com Síndrome de Down e acrescenta que “a luta é diária”.

Henrique, filho de Ana Paula da Silva/Reprodução

No Brasil, estima-se que cerca de 300 mil pessoas tenham Down, segundo a ONG Movimento Down, que luta pela inclusão da população com a síndrome. No último domingo (18/03), a data foi lembrada com a Caminha Down, que aconteceu em Ipanema, no Rio de Janeiro, com a presença de duas mil pessoas, segundo dados do Jornal “O Globo”. A caminhada contou com diversas oficinas promovendo o divertimento das crianças e suas famílias.

Esta caminhada terá uma segunda edição no dia 25/03 na Praça Aquidauana, em Vicente de Carvalho, às 09:00 da manhã. Além dela, na Tijuca terá um show musical com Hamilton Catette e Banda “Don’t Let Me Down”, no Centro da Música Carioca Artur da Távola. Segue o link para eventos no resto do Brasil.

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