Guerra e terrorismo, um polêmico debate

Por Mariana Gomes e Eduarda Pinheiro

“O jornalismo, justamente por não ter papel de declarar a guerra, pode fazer isso”, afirmou Octávio Guedes, diretor de redação do jornal Extra, durante a 4ª semana de jornalismo da ESPM Rio. O tema foi abordado durante a mesa Guerra e Terrorismo. No dia 16 de agosto, o periódico carioca anunciou a criação de uma editoria dedicada à cobertura de guerra. Segundo o diretor, não podemos naturalizar os casos de violência que acontecem no dia a dia: “é dever do jornal chamar atenção para o tema”, complementou Guedes, que aceitou participar pela primeira vez de um debate após a criação da nova editoria. A mesa também contou com o repórter do RJTV Pedro Figueiredo, que comentou como sua experiência na cobertura policial foi importante para a sua atuação jornalística na cobertura dos atentados em Barcelona, em agosto deste ano. Ele estava de férias e foi convocado pela emissora para entrar no ar.

Pedro Figueiredo, ao lado de Octávio Guedes, fala sobre o atentado em Barcelona. / Foto: Beatriz Bastos

Octávio Guedes iniciou a editoria de guerra por conta de casos de violência como o de Claudineia dos Santos, que teve seu filho baleado ainda no útero, em julho deste ano. No entanto, a editoria, que tem como intenção dar voz às vítimas dessa violência, foi alvo de polêmica. Durante o debate, que aconteceu após a palestra, Guedes rebateu as críticas e disse que considera que a criação da editoria jogou luz num tema que foi discutido pela sociedade.

Octávio Guedes fala da criação da editoria de Guerra do Jornal Extra./ Foto: Beatriz Bastos

Questionado sobre a criação da editoria ter relação com o marketing, o jornalista discordou que não houve tal participação, e que a concepção de uma nova editoria não muda a venda de um jornal popular, mas sim as promoções que são feitas por ele.

O repórter do RJTV Pedro Figueiredo contou sobre as dificuldades de cobrir um atentado em um país em que o jornalista não sabe falar o idioma local. “Foi a experiência mais difícil que tive na vida”, afirmou ele, que ficou praticamente 24 h fazendo entradas ao vivo na TV Globo. O repórter, que estava na praia de Barceloneta, de férias, não tinha sequer sinal de internet.

Pedro encontrou sua primeira dificuldade na questão técnica. Que equipamentos iria usar? Como enviaria o material para o Brasil? Já que estava de férias, nem mesmo um chip havia comprado para o celular. Seu problema foi resolvido mais tarde, quando conseguiu passar os arquivos em uma lan house. Segundo o jornalista, todas essas dificuldades só foram superadas porque ele já carregava uma bagagem como repórter policial aqui no Brasil.

Para Pedro, foi uma questão de sorte estar no local certo, na hora certa, Octávio o interrompeu, afirmando que não foi uma questão de sorte, mas de garra. “Sorte teria sido se o atentado tivesse ocorrido na praia, na sua frente, e você tivesse captado as imagens. No seu caso, foi garra mesmo, de ir a campo e batalhar pela reportagem”, afirmou o diretor do Extra. Realizar uma cobertura como essa é mérito do jornalista. A experiência de cobrir um atentado contribuiu para seu crescimento profissional e pessoal, comentou Pedro. O repórter considera que o ocorrido é algo que vai permanecer com ele, “uma cobertura que eu acho que não vou esquecer tão cedo”.

 

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