Marcas já estão produzindo reality shows

Os jornalistas Luiz Noronha e Gilberto Scofield debatem sobre os rumos do branded content na Semana de Jornalismo da ESPM/ Foto: Beatriz Bastos

Reportagem de Cecilia Santos e Isabelle Rodrigues

Você sabia que as marcas já estão produzindo reality shows tanto para a TV a cabo quanto para o YouTube? A novidade foi apresentada pelo jornalista Luiz Noronha, sócio das produtoras de audiovisual Fábrica e Ponte Filmes, na mesa sobre branded content (conteúdo de marca), nesta quarta-feira (8/11), durante a 4ª Semana de Jornalismo da ESPM Rio, realizada no auditório da faculdade, no Centro do Rio. O debate contou também com a participação do jornalista Gilberto Scofield, com experiência em redações e comunicação corporativa.

A produtora de Noronha foi contratada para produzir para o Canal Multishow o reality de aventura inspirado nas expedições feitas por Andre Gustave Citröen nos anos 1920. Dividido em 13 episódios, a série explorou 800 km de estradas no Brasil em 30 dias. O conteúdo também gerou um site e vários blogs. “Em nenhum momento, foi divulgada a marca durante os episódios. Os participantes apenas dirigiam os carros da Citröen”, afirmou.

Para o jornalista, esta é a forma mais atual de marketing indireto: as marcas aparecem sutilmente num contexto de consumo que leva conteúdo ao usuário e/ou telespectador. Outro exemplo citado por ele foi o reality encomendado pela Braskem, indústria química e de plástico, para ser exibido no canal da marca no YouTube. Nele, estudantes de design e arquitetura se enfrentam no desafio de criar e implementar um projeto específico usando materiais produzidos pela empresa.

Um terceiro exemplo foi a série exibida no Discovery Home and Health, patrocinada pela Boticário, contando as histórias de 27 mulheres que, com suas ações e atitudes, transformam as comunidades onde vivem. Qual a boa notícia para os jornalistas? “Nesses projetos, contratamos jornalistas para irem atrás dessas histórias em todo o Brasil”, revelou.

Em sua apresentação, Scofield enfatizou a convergência entre o jornalismo e a publicidade e a abertura de oportunidades para jornalistas. Para ele, isso é uma realidade cada vez mais presente no mercado da comunicação. Por conta disso, atualmente há uma “demanda por pessoas que tenham noção de conteúdo jornalístico, publicidade e relações públicas”, afirmou o jornalista, que já foi correspondente internacional e editor em O Globo, diretor da Máquina Cohn & Wolfe e atualmente comanda um projeto para digitalizar a comunicação interna do BNDES.  

Para Scofield, o branded content também se aproxima do entretenimento ligado ao conceito de uma marca, oferecendo informações úteis ao seu consumidor. Scofield explica que humanizar a forma de se contar uma história promove o negócio sem utilizar a tradicional venda direta da publicidade, engajando o usuário. “É importante pensar em uma maneira de chamar a pessoa espontaneamente para consumir o produto”, sustenta.

Noronha também ressaltou que todos os projetos hoje devem ser cross media. Ele defende o uso de múltiplas   plataformas disponíveis, pois só a utilização de anúncios nos meios de massa tradicionais, como a televisão, não seriam mais eficazes. “Elas não se anulam, pelo contrário, se complementam”, disse.  

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