Videojornalismo e os desafios de informar na era do entretenimento

Reportagem de Karoline Kina

 

Ricardo Rigel, Adalberto Neto e Élcio Braga. Foto: Acervo Pessoal
Ricardo Rigel, Adalberto Neto e Élcio Braga vão debater os desafios do videojornalismo. Foto: Acervo Pessoal

“A galera da internet quer entretenimento. Então, o mais difícil é unir o que eles estão procurando com o que a gente quer transmitir”. A afirmação é de Adalberto Neto, jornalista e roteirista que, ao lado de Ricardo Rigel, apresenta o programa “Treta Show”, do Jornal Extra. Ele, Rigel e o jornalista Élcio Braga, da editoria de Videojornalismo do jornal O Globo, debaterão a produção jornalística audiovisual no segundo dia da 4ª Semana de Jornalismo (07/11) da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) Rio. O evento acontecerá no auditório da faculdade, localizada à Rua do Rosário, 90.

Jornalista formado pela Universidade Estácio de Sá e pós-graduado em roteiro de cinema e TV, Adalberto trabalha há sete anos na Infoglobo e já passou pelos Jornais de Bairro e colunas como “Extra, Extra!” e “Gente Boa”. Apesar de nunca ter trabalhado com vídeo antes do “Treta Show”, Neto conta que a mudança da plataforma de texto para a de audiovisual foi questão de adaptação: “Passei a lidar com uma ferramenta com a qual não tinha intimidade nenhuma. Com o tempo, fomos nos acostumando com a câmera e a coisa foi ganhando mais naturalidade”. E é justamente o que ele e Rigel vêm fazendo desde a estreia do programa, em julho deste ano. “Nós criamos o Treta Show e todos os quadros dele em 20 minutos e por telefone. A princípio, eu não estaria apresentando, mas o Rigel disse que preferia fazer comigo. Aí, caí dentro”, conta.

Rigel passou pelas editorias de Economia, Cidades e Cultura do jornal O Fluminense, foi repórter da Revista Caras e do UOL, há quatro anos atua na Infoglobo como repórter de Cidades e atualmente faz vídeo reportagens para os sites do Extra e do Globo. Para o jornalista, o avanço da internet e a popularização do celular passaram a exigir um maior foco na linguagem audiovisual: “Com um celular e um olhar apurado, fazemos milagre”. Acredito que a grande dificuldade é de convencer, ainda, alguns colegas de que o conteúdo audiovisual não é algo do futuro, e sim uma realidade que já está sendo vivida e consumida”.

Assim como ele, Élcio Braga, formado em Comunicação pela Universidade Gama Filho e pós-graduado em Cinema-Documentário pela FGV, também possui uma trajetória no jornalismo audiovisual. Braga, que já passou pelo Jornal de Hoje (Nova Iguaçu) e pelo O Dia, atualmente trabalha no Jornal O Globo e, paralelamente, mantém um canal no Youtube sobre história e curiosidades. Premiado duas vezes pela Sociedade Interamericana de Imprensa por seus trabalhos (em 1998, com a série “Infância perdida”, e, em 2010, com a série sobre os 10 anos do início da Segunda Guerra Mundial), Braga atua na editoria do jornal O Globo que vem recebendo cada vez mais atenção na estratégia para conquistar novos assinantes e seguidores: a de Videojornalismo. Segundo o jornalista, trabalhar com audiovisual exige atenção em aspectos diferentes da produção em texto: “O primeiro desafio é focar em uma ideia central e não tentar fugir muito disso. O segundo é a preocupação com as imagens. Depois, se preocupar mais com o óbvio. Por último, é preciso, mais do que nunca, pensar na pauta antes, fazer um pré-roteiro por escrito, no celular ou até na cabeça”.

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