Mulheres no jornalismo esportivo: luta por espaço e igualdade

Reportagem de Isabelle Rodrigues

“O futuro é promissor, mas o caminho para ganhar credibilidade ainda é longo” afirma Bruna Dealtry, jornalista dos canais Esporte Interativo, em relação à presença das mulheres no jornalismo esportivo. Além dela, as jornalistas Marluci Martins, do jornal Extra, e Débora Gares, da ESPN, estarão presentes no primeiro dia (6/11) da 4ª Semana de Jornalismo da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM Rio) para debater o preconceito e o machismo ainda sofrido pelas mulheres que atuam na área. O evento será realizado no auditório da faculdade, localizada à Rua do Rosário, 90, no Centro do Rio.

As jornalistas esportivas Débora Gares, Bruna Dealtry e Marluci Martins. | Fotos: Acervo pessoal

A trajetória de Bruna Dealtry começou nas areias, como atleta profissional de vôlei de praia. Por conta do sonho de participar de uma Olímpiada, decidiu seguir o jornalismo e iniciou a carreira como estagiária nos canais Esporte Interativo, onde atua até hoje. Após trabalhar na produção de um programa de esportes olímpicos e um de vôlei, o “Tie-Break”, Bruna começou a fazer parte da equipe de reportagem principal, função que exerce até hoje.

Além de fazer a cobertura do dia-a-dia dos times de futebol, pautas especiais, transmissões e eventos, ela teve a oportunidade de realizar o seu desejo nos Jogos Olímpicos de 2016, atuando como repórter da arena do vôlei de praia pelo Comitê Olímpico. Segundo a jornalista, é possível uma mulher ter voz e respeito no jornalismo esportivo, mas acredita que é preciso se posicionar de forma rígida. “Com a cabeça erguida, com educação e com coragem podemos ganhar nosso espaço de forma natural”, afirma. Apesar de ter sofrido assédio e desconfiança no seu ambiente de trabalho, ela é otimista em relação ao futuro das mulheres na área. “As mulheres estão nos estádios de futebol, nos bares assistindo aos jogos, falando sobre esportes, invadiram as faculdades de jornalismo e estão presentes nos cursos de jornalismo esportivo. É natural que no mercado de trabalho isso também aconteça.”

Para Marluci Martins, a carreira no jornalismo esportivo teve início em 1988. A jornalista começou como estagiária no jornal O Dia, onde trabalhou por 23 anos, além de ter feito parte da bancada do programa “Redação SporTV”  e da mesa redonda do “Última Palavra”, da Fox Sports. Segundo ela, o maior furo de sua carreira aconteceu em 2008, quando anunciou com exclusividade a aposentadoria do jogador Romário. Hoje, ela faz parte da equipe do Jornal Extra, assinando a coluna “Extracampo”, e tem um blog. Marluci teve a oportunidade de trabalhar como setorista dos quatro grandes clubes do Rio de Janeiro e já cobriu cinco Copas do Mundo.

Já Débora Gares, que é formada em jornalismo pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), também participou de coberturas importantes ao longo da carreira, somando três Copas do Mundo, duas Olimpíadas e um Pan-americano. A jornalista, que já passou pelos jornais O Globo e Extra e o Sistema Globo de Rádio, atualmente está nos canais ESPN, em que cobre  jogos e a rotina diária dos clubes cariocas. Atuando na área desde 2005, ela conta que vê a mulher sendo cada vez mais respeitada por sua capacidade e conhecimento na área esportiva, mas aponta que a desigualdade ainda é existente em vários aspectos: “Ainda falta muito para que as mulheres tenham o mesmo tratamento, número de oportunidades e remuneração que os homens têm”, afirma. Além disso, ela aponta o machismo como um dos fatores principais para a credibilidade das mulheres ainda ser colocada em xeque em diversas situações. “A sociedade como um todo ainda é machista e por isso a gente tem que provar o nosso valor a todo momento e lidar com comentários e brincadeiras”, relata.

 

 

 

 

 

 

 

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