A realidade por traz das lentes

  • Reportagem de Caio Garritano e João Ramalho

“Fotojornalismo é resistência.” A declaração de Wania Corredo, fotógrafa há 25 anos, expressa que, apesar da evolução das câmeras e a facilidade de fotografar com o celular, a profissão permanece viva. Para Severino Silva, que possui 30 anos de profissão, os fotógrafos dos jornais são como os olhos da sociedade. Já Custódio Coimbra, com 33 anos de carreira, entende que o fotojornalista tem o dever de mostrar, com uma imagem, o principal da matéria. Esses profissionais retratam a cidade do Rio de Janeiro a partir de olhares e perspectivas diferentes, além de acreditarem na importância da imagem como meio de disseminar a informação.

Boto com lixo na Baía de Guanabara/ Foto: Custodio Coimbra

Ao definir-se como lunático e biólogo, Custódio Coimbra, que possui o maior acervo de fotos da cidade do Rio de Janeiro, estuda muito para conseguir capturar no ângulo perfeito. Com obras como “Boto com lixo na Baía de Guanabara” e “Cristo Redentor dentro da Lua”, ele conta da confiança que os editores do jornal em que o fotógrafo trabalha depositam nele. “Tenho um respaldo muito grande dos meus editores, quando venho com uma pauta legal  e eles concordam comigo, eles apostam nela.”

O Cristo e a Lua/ Foto: Custodio Coimbra

Considerado um dos melhores fotógrafos de crime do Brasil pelo jornal “The Guardian”, Severino Silva trabalha, principalmente, com o hard News – O fotógrafo relembrou a foto, que levou o Prêmio Vladmir Herzog, ao conseguir pegar em flagrante o jovem viciado sem os braços fugindo da ação de combate ao crack. “É triste, é doloroso, mas a gente tem que mostrar”, relatou. Paralelamente ao seu trabalho, Severino dedica-se ao projeto pessoal “Fé, Luz e Sombras”, ambientado no Nordeste, em que retrata a religião com um jogo de claro e escuro.

Mutilado na guerra do crack./ Foto: Severino Silva

Vencedora do Prêmio Esso de Jornalismo, em 2002, e do Rey de Espana, em 2004, Wania contou que o trabalho em equipe é fundamental na hora de fazer jornalismo. “Eu estava com um motorista e um repórter incríveis, quando você tem um trio perfeito, parece que as coisas conspiram para acontecer”, conta ao relembrar da série de fotos que fez para levar o primeiro prêmio. Em 2002, para o trabalho “Execução numa rua em Benfica”, a fotógrafa, grávida, pendurou-se na janela do carro para conseguir capturar o momento do assassinato. Hoje ela divide seu tempo entre o projeto de dois documentários com o grupo fotógrafas brasileiras que conta, atualmente, com 1500 integrantes conectadas pelo país e o exterior.

Wania afirma ainda que para ser fotojornalista treinamento é necessário: “não é só você ser veloz, ser sensível, você tem que ter um treinamento de olho, velocidade mesmo e de sacada também.

Execução na rua em Benfica / Foto: Wania Corredo

 

 

 

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