O legado do Profeta Gentileza

Profeta Gentileza, autor da frase “gentileza gera gentileza” e o homem que fez história ao pintar em mais de 50 pilastras no Viaduto do Caju frases sobre amor e um mundo melhor, é homenageado no seu centenário. José Dantrino, ao apresentar a gentileza como forma de lidar com os problemas pelas ruas, acabou por promover uma das mais marcantes intervenções urbanas de arte que o Rio de Janeiro já viu.

Já homenageado por artista como Marisa Monte e Gonzaguinha, Gentileza é, agora, homenageado na exposição “Gentileza faz 100 anos”. Organizada em conjunto pela Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro e a Secretaria Municipal de Cultura, a exposição leva cultura para a população. Exibida nos metrôs da Cidade Maravilhosa, o mural conta a história do profeta, divulgando o seu trabalho e apresentando objetos pessoais do artista, que foram guardados pela família. Isso tudo em fotografias em painéis de PVC.

A exposição é gratuita e de fácil acesso à população. Além disso, ela não é fixa, e pretende passear pelas estações da cidade, saindo da Estação de São Conrado, onde ficou instalada até essa quinta-feira (11) e seguiu  para a Estação Coelho Neto (entre os dias 12 e 25 de Maio), indo, depois, para a Estação Central (do dia 26 de Maio à 8 de Junho) e tendo fim na Estação Jardim Oceânico, permanecendo na mesma entre os dias 9 e 23 de Junho.

Criança com peça do acervo pessoal da família do Profeta /  créditos: Melanie Martins

Danielle Rodrigues Cunha, de 31 anos, é recepcionista e, mesmo trabalhando perto da estação, diz não ter ficado sabendo do evento. “Tanto o Governo quanto a administração do MetrôRio pecaram quanto a divulgação”, afirma. A recepcionista ainda acrescenta que amigas dela que passam por lá todos os dias não viram e também não sabiam da exposição.

Bruna Acioly, 26, trabalha com serviços gerais e, assim, como Danielle, afirma não ter ficado ciente da exposição, mesmo trabalhando pelos arredores. Mesmo assim, incentiva a criação da mesma e que acredita que a população goste também, já que, segundo ela, “brasileiro é curioso”.

Porém, o mural não ficou despercebido por todos. O aposentado José Maria Menezes, de 71 anos, ao passar pelo corredor da estação, viu a exposição. “Gostei muito e fiquei com vontade de saber mais”, só que, ele também reclamou da divulgação: “acho que poderia ter tido uma melhor divulgação e que a rede Globo poderia abrir espaço para a comemoração dos 100 anos”. Além disso, o sr. José Maria diz ser encantado com a figura do Profeta Gentileza, achando impressionante como que “uma pessoa numa condição tão humilde produziu um pensamento tão útil e verdadeiro”. Ele também elogiou a mostra, dizendo que a achou bem-feita e bonita graficamente.

Painéis da exposição / créditos: Melanie Martins

Assim como o senhor José Maria, a farmacêutica Rita de Cássia, de 41 anos, também notou a exposição por conta própria e decidiu parar para vê-la. “Até tirei uma foto para pôr no face” brincou ela. Rita achou interessante também o local da exposição, dizendo que “ao interromper a preocupação normal da rotina, a pessoa já tem vontade de ser gentil com alguém, podendo sair dali e já dar um bom dia”.

Lucimar Honorio Muniz, 46 anos, é ambulante e trabalha na saída da estação São Conrado. Como os outros, não ficou sabendo da existência da exposição e culpa a falta de divulgação por isso, afirmando não ter visto um único panfleto e muito menos uma propaganda boca a boca. Mas, mesmo assim, gostou de saber e disse que vai passar pelo corredor no final de seu expediente, já que segundo ela, “gentileza é tudo na vida da gente”. Lucimar ainda elogia mais o tema da exposição, afirmando o seguinte: “é o que está faltando, não em todos, mas em muitos”.

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