Reta final do Comida di Buteco movimenta bares do Rio

Por Júlia Pico e Victoria Mancino

Terminou neste domingo (14/5) a primeira etapa do concurso Comida di Buteco. A votação popular durou de 14 de abril a 14 de maio e premiará os 20 melhores botecos da cidade que, em julho, participarão da etapa nacional do concurso. Ao contrário do que muitos pensam, o Comida di Buteco não é um mero festival gastronômico: os estabelecimentos participantes são avaliados pelo público e por um júri qualificado, que opina em quatro quesitos: petiscos, higiene, atendimento e temperatura da bebida. Os 20% com as piores avaliações são excluídos da competição no ano posterior, e os 20 melhores competem com bares de todo o país pelo título de melhor “buteco” do Brasil.

Com origem em Minas Gerais, a competição extrapolou os limites de Belo Horizonte e em sua 17ª edição esteve presente nas cinco regiões do país, em 20 cidades. Visando valorizar os verdadeiros “butecos”, a organização exige que os donos trabalhem diretamente no cotidiano do negócio, vetando franquias e dando lugar à boa comida e à história dos estabelecimentos.

David Bispo (45), responsável pelo Bar do David – há 7 anos no concurso e vencedor nacional de 2016 – viu seu negócio crescer mais a cada edição. Inaugurado em 2010, ele foi selecionado pelos organizadores do evento com apenas um ano de funcionamento, devido à culinária típica brasileira. O bar na Ladeira Ari Barroso (Leme) se aperfeiçoou durante os anos e hoje possui reconhecimento internacional. Para o proprietário, os ganhos foram além de um simples título, o imóvel – antes alugado – agora é de sua propriedade: “tanta gente vem conhecer seu petisco e, se você souber aproveitar a oportunidade, conquista muita coisa”.

“Saudosa Maloca” é o petisco do Bar do David para a competição deste ano. Foto: divulgação Comida di Buteco.

Para David, a competição impactou não apenas em sua vida pessoal e nos negócios, mas também na vida da comunidade Chapéu Mangueira: além de empregar e movimentar a vida cultural, o bar passou a atrair pessoas de todo o país ao morro, incluindo celebridades – do sociólogo polonês Zygmunt Bauman a atores globais, como Mariana Ximenes e Bruno Gagliasso. O sucesso dos petiscos vem, além da habilidade do chef, da troca constante que a diversidade da favela proporciona: “a cultura da favela é muito rica, tem pessoas de várias regiões e elas fazem uma troca”.

No Centro da cidade, o Bar Opus precisou mudar sua rotina para atender à clientela interessada em experimentar o “Três Porquinhos”, prato inspirado na origem mineira do sócio proprietário David Mattos (37), que consiste em três variações de carne de porco. O estabelecimento serviu uma média de 50 pratos do Comida di Buteco a cada dia da primeira etapa.

Alexandre, gerente do restaurante Antigamente, no Centro do Rio, disse que o estabelecimento foi convidado a participar da primeira edição do evento, em 2008, e essa é a décima participação no Comida Di Buteco. Apostando no “Porqueta Embriagada”, tendo o malte como ingrediente principal do pão, Alexandre conta que o prato foi criado especialmente para o concurso e acredita que o movimento aumentou de 30 a 40% em razão de pessoas interessadas pelo petisco competidor.

“Porqueta Embriagada”, do restaurante Antigamente. Foto: divulgação Comida di Buteco.

A criação do prato concorrente é um processo que dura de um a dois meses. No meio do ano, o tema é divulgado e a receita – que deve ser inédita – é entregue em agosto. A decisão de estipular um tema para os pratos veio da vontade de inserir sempre temas da cultura nacional e aguçar a criatividade dos cozinheiros. O tema de 2017 é “cereais”, base da alimentação brasileira e maior fonte de energia do homem. A organização define, também, o valor máximo do petisco, que este ano é de R$25,90. No Bar do David, os pratos inscritos nos seis anos de competição permanecem no cardápio até hoje e – com o sucesso do evento e a expectativa gerada em torno do estabelecimento – são recordistas de vendas.

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