Após 6 anos do massacre de Realengo, sobrevivente conta como viveu a dor de perder a irmã

Reportagem de Isabelle Rodrigues, Karoline Kina e Raquel Prazeres

Na tentativa de proteger a própria vida, a irmã e a melhor amiga, Brenda Tavares foi atingida 6 vezes. Ao fechar os olhos para não ver o assassino e para se fingir de morta, a menina não percebeu que outras pessoas também haviam sido atingidas. Seis anos após a tragédia que ocorreu na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, Brenda tenta seguir em frente sem a companhia de sua irmã gêmea, Bianca, que morreu abraçada a ela com dois disparos.

Além dessa perda, Brenda ainda teve de lidar com a morte de mais dois familiares: o pai, em 2014, seguido pelo irmão mais novo, 25 dias depois. Somado a isso, sua mãe, que já tinha problemas com drogas, se afundou ainda mais após a tragédia. Para tentar amenizar a solidão, a menina decidiu engravidar aos 16 anos “ Depois que aconteceu isso eu quis ter um filho porque eu me sentia muito sozinha, chorava todos os dias. Se passaram 6 anos da tragédia e ainda é a mesma coisa pra mim, nunca vai mudar”, desabafou.

 

 

Brenda e sua irmã, Bianca, antes da tragédia. | Foto: Acervo Pessoal

 

No dia do massacre, as irmãs acordaram atrasadas para ir à escola e por pouco não perderam o dia de aula. No segundo tempo, começaram a ouvir os tiros e, ao perceberem o que estava acontecendo, as duas decidiram se esconder com outras cinco debaixo da mesa da professora, lugar onde Wellington fez a maioria dos disparos. Brenda conta que foi a primeira a ser atingida “ O primeiro tiro pegou em mim, foi nas costas, eu pensei que eu ia morrer”. Desse grupo, somente ela e outra menina sobreviveram.

 

Brenda e amigas da Tasso da Silveira. | Foto: Acervo Pessoal

Já internada, ela ainda não sabia da confirmação da morte da irmã. Os familiares tentavam a todo custo esconder a notícia dela “Minha mãe chegou no hospital e eu perguntei da Bianca, ela falou que não sabia, que tava procurando por ela”. A noticia só foi dada a ela no dia seguinte “Eu chorava muito, minha irmã era tudo pra mim, a gente fazia tudo juntas, éramos super agarradas uma com a outra”, contou.

A tentativa de continuar os estudos naquele mesmo ano fracassou. Brenda contou que era difícil ir à nova escola sem a companhia da irmã e que, além disso, na sua turma estudavam duas irmãs gêmeas. Isso tornava ainda mais complicada a sua permanência naquele local. No ano seguinte, a menina retornou à Tasso da Silveira e concluiu o Ensino Fundamental junto com outros amigos também sobreviventes do massacre. “Foi um ano muito difícil, mas a gente se uniu para um dar forças para o outro, se não a gente não ia estudar”, contou.

Brenda vive sozinha com o filho desde os 17 anos, quando se separou do pai da criança, e pretende voltar à cursar a faculdade de Ed. Física, que teve de trancar por falta de dinheiro. Ela contou ainda que iniciou um tratamento com um psicólogo recentemente e que, diferentemente da época em que recusou a ajuda médica, entende a necessidade do profissional “ Eu to indo no psicólogo pra ver se minha cabeça melhora um pouco e eu começo a trabalhar, estudar, não ficar muito parada no tempo”, explicou.

 

 

 

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