Nova manifestação contra reformas ocupa o Centro do Rio

Reportagem de Eliza Ranieri, Victoria Mancino e João Ricardo Barbedo

Manifestantes se concentram na Candelária para protestar contra as reformas propostas por Temer / Foto: João Ricardo Barbedo

Uma nova manifestação contra a reforma da Previdência ocorreu hoje (31), na Candelária, Centro do Rio, com início às 17h. O ato também protestou contra a reforma trabalhista e o novo projeto de terceirização aprovado na Câmara dos Deputados, no dia 22, além de fazer parte de uma mobilização nacional que estava prevista para acontecer nesta sexta-feira em todo o país. Os atos foram convocados pela Frente Brasil Popular, Povo Sem Medo e Esquerda Socialista, tendo como principal causa a oposição às reformas do governo de Michel Temer (PMDB).

A terceirização, de acordo com o projeto, poderá ser aplicada em qualquer atividade e os terceirizados não serão representados por sindicatos. Hoje, a terceirização é permitida apenas em atividades de suporte, tais como conservação, limpeza e segurança.

Foto: João Ricardo Barbedo

A sindicalista, jornalista e integrante da CUT (Central Única dos Trabalhadores) Virgínia Berriel, de 54 anos, acredita que os recentes atos são movimentos positivos para a Greve Geral, marcada para o dia 28 de abril. “Se nós quisermos barrar o processo da terceirização, da reforma trabalhista e da Previdência, nós só conseguiremos fazê-lo levando a população de forma plena para as ruas no dia 28”, disse. Segundo ela, o ato está sendo convocado por todas as centrais sindicais. “É um processo de construção para barrar os retrocessos dessas reformas que, para mim, não são reformas, são desmontes da Previdência Social e da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas)”, acrescentou ela.

Virgínia informou que o movimento seguiria até a Cinelândia, onde ocorreriam atos como a apresentação da roda de samba feminina Moça Prosa: “Acredito que vamos juntar pelo menos 10 mil pessoas. Vamos sair da Candelária às 17h30, e conforme os trabalhadores forem saindo de seus expedientes, se juntarão  a nós”.

Foto: João Ricardo Barbedo

A manifestação atraiu bancários de Teresópolis, que saíram de um ato político que ocorreu na cidade e vieram para o Rio de Janeiro protestar, como o caso de Cláudio de Souza Melo, de 48 anos. “Nós viemos para o Rio somar forças e mostrar de forma clara que a população não vai aceitar tamanho ataque aos direitos que levaram anos para serem conquistados”, afirmou.

Movimentos sociais, como a União LGBT Carioca, estavam presentes. O presidente do grupo, Marcelo Márcio Pereira, de 34 anos, afirmou que os serviços serão afetados diretamente com a terceirização. Para ele, os trabalhadores ganharão menos, a mão de obra será desqualificada e os direitos trabalhistas correrão riscos: “Se não agirmos agora, o retrocesso será muito grande na sociedade”. Durante o ato, a Avenida Presidente Vargas ficou fechada e os serviços do VLT foram interrompidos.

 

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