Pequenos negócios na internet viram solução para a crise

Reportagem João Ramalho e Caio Garritano

Com o Brasil em crise, o microempreendedorismo pelas redes sociais surge como uma alternativa, e algumas pessoas aproveitam as datas comemorativas para vender mercadorias pela internet. Por exemplo, na Páscoa, época em que chocolates são muito consumidos, empreendedores divulgam a venda de ovos artesanais, entre outros doces, através de redes como o Instagram e o Facebook.

Ana Luiza Xavier, 23 anos, é dona da empresa Anaxcozinha. “As redes sociais facilitaram muito o contato com o cliente, e consequentemente, o aumento das vendas. A comunicação é feita de forma que conseguimos abranger vários públicos”, afirma a empresária, que trabalha há cinco anos no ramo de confeitaria. Xavier relata que a interatividade tem papel fundamental na compreensão do consumidor para entender o que ele está buscando. Segundo ela, as novas tecnologias proporcionam novas formas de se conectar com o público sem grandes investimentos.

Ana Luiza Xavier-dona da empresa Anaxcozinha / Foto: divulgação

Assim como Ana Luiza, Beatriz Mercês, estudante de administração, encontrou uma forma para conseguir uma renda extra. Quando estava no período de pré-vestibular, a estudante contou que buscava algo para distrair a cabeça, enquanto estudava para as provas. Ao ver páginas no Instagram, ela decidiu juntar um hobby com o negócio: passou a vender ovos gourmet no período da Páscoa. “A internet facilita a vida da gente, ela dá uma visibilidade muito maior”, afirmou. Para ela, as redes não só divulgam, como fazem a comunicação direta com os clientes.

Beatriz Mercês em sua produção para a Páscoa / Foto: João Ramalho

Pedro Ribeiro, dono da empresa Zé Brownie, trabalha no ramo de venda de doces há dois anos.  Ele relata que as redes sociais ajudam não só na divulgação, mas também na triagem da compra de produtos novos, ofertas de emprego e na procura de novidades. “A internet não é mais um diferencial, e sim o padrão”, afirma. Para Ribeiro, é necessário o envolvimento dos microempresários com seus clientes e assim criar um contato pessoal com eles. A Zé Brownie, diferentemente das iniciativas das duas outras entrevistadas, conta com o programa de Microempreendedores Individuais (MEI), passando assim por fiscalização dos bombeiros, da vigilância sanitária e da prefeitura.

Brownie da empresa Zé Brownie/ Foto: divulgação

No ano de 2016, o governo federal reduziu 30% da carga de impostos para incentivar o empreendedorismo no Brasil. O presidente Michel Temer disse, em cerimônia no Palácio do Planalto, que apesar de serem considerados “pequenos”, os microempreendedores individuais representavam 52% do PIB brasileiro. As empresas registradas como MEI adquirem um Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), facilitando abertura de conta bancária. Além disso, são enquadradas no Simples Nacional, programa tributário que as isenta dos tributos federais e permite o acesso a benefícios como auxílio maternidade, auxílio doença e aposentadoria.

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