No Dia da Água, população critica poluição da Baía de Guanabara

Lixo na Baía de Guanabara na Praça Mauá: modernidade das construções contrasta com o descaso do poder público/ Foto: Alice Brandão

No Dia Mundial da Água, a Praça Mauá, que foi revitalizada para as Olimpíadas, sofre com a poluição da Baía de Guanabara. Apesar dos investimentos recentes em modernas construções, como o Museu de Arte do Rio (MAR), em 2013, e o Museu do Amanhã, em 2015, o meio ambiente foi deixado de lado. Para a população, a poluição da baía é vista com indiferença pelo governo. O Portal de Jornalismo da ESPM foi hoje ao local para conferir o contraste entre a arquitetura e a degradação no local.

A francesa Camille Reiss, que mora há três anos no Brasil, acha uma vergonha o estado da água da baía.”Na geração dos nossos pais, as águas eram, de modo geral, transparentes”, afirmou. “Hoje em dia, estamos nessa situação deplorável: a água está verde, cheia de petróleo e com muito lixo”, queixou-se. Cerca de 18 mil litros de esgoto por segundo ainda são despejados nas águas da baía sem qualquer tratamento. Além disso, 70% do esgoto doméstico dos 15 milhões de habitantes do seu entorno também vão parar na baía. “Quem mora muito perto da água poluída sofre direto com esse problema na vida cotidiana, principalmente por causa do mau cheiro”, destacou Camille.

Há quem ache que a discussão sobre o processo de despoluição da baía teve início nos Jogos Olímpicos, mas essa história é antiga. O primeiro projeto data de 1994 e se chamava Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG). À época, o governo do Rio tinha R$2,5 bilhões para tratar o esgoto e despoluir o local. Entretanto, as obras foram ineficientes e houve acusações de irregularidades, como atrasos e superfaturamento. “Agora que as Olimpíadas passaram, acho difícil voltarem a investir nessa área  porque eles não precisam mais ‘fazer bonito’ para os estrangeiros”, afirmou o estudante Lucas Souza, de 25 anos. “O governo também está falido”, acrescentou. Por outro lado, ele ressalta o descaso da população com o assunto: “As pessoas não sabem a importância da despoluição das águas no nosso dia a dia”.

A aposentada Vilma Carvalho destaca a má gestação do governo com o dinheiro público como o principal motivo pelo atual cenário da Baía de Guanabara. “Acho que só daqui a muitos anos vamos assistir à redução da poluição das águas”, disse. Mas ela é otimista: “A esperança de que um dia essa situação vai mudar nunca morre. Eu acredito que nem vou estar mais aqui para ver, mas essa juventude talvez veja a Baía de Guanabara despoluída”. Entretanto, para especialistas, a despoluição total só pode ser pensada em 30 anos e com investimentos de cerca de US$ 5 bilhões, segundo a reportagem de Emanuel Alencar no Projeto Colabora.

 

 

 

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