Metodologia ativa do aprendizado: o estudante como protagonista da construção do conhecimento

Vivenciar o dia-a-dia da profissão escolhida é uma experiência que não tem preço para estudantes de ensino superior. Para os alunos, entrar em contato com situações reais é de grande relevância para o aprendizado, que vai muito além da base teórica ensinada em aulas expositivas.

 

Alunos se esforçam para tirar fotos das manifestações | Foto: Ana Lúcia Araújo
Alunos se esforçam para tirar fotos das manifestações | Foto: Ana Lúcia Araújo

Um grupo de estudantes de jornalismo da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) viveu essa experiência de perto durante a manifestação dos servidores da área de segurança pública, que ocorreu na última terça em frente ao prédio da Alerj, no centro do Rio. Eles, que participavam de uma aula externa de fotografia no momento, tiveram que lidar com o nervosismo e a correria para realizar uma cobertura desse porte ainda no primeiro período. Segundo o aluno Henrique Ferreira, de 18 anos, a prática foi uma oportunidade de crescimento pessoal e profissional. “Hoje eu me senti jornalista pela primeira vez, por estar ali no meio de tudo”, conta. Além disso, eles precisaram agir com imparcialidade em relação aos manifestantes, princípio ético e moral da conduta jornalística. “Eu aprendi a agir e a não me assustar mais com esse tipo de situação. Me sinto mais preparado”, afirma o estudante Gabriel Barros, de 18 anos.

 

O estudante de jornalismo, Gabriel Barros, afirma que a manifestação o ajudou a controlar o nervosismo | Foto: Ana Lúcia Araújo
O estudante de jornalismo Gabriel Barros afirma que a manifestação o ajudou a controlar o nervosismo | Foto: Ana Lúcia Araújo

A professora de fotografia Ana Lúcia Araújo, responsável pelo grupo, reforça a importância das aulas práticas como contribuição para o conhecimento dos alunos. “A aula prática tira o aluno da zona de conforto e é uma forma de viver o que está aprendendo em sala de aula. Quando existe uma oportunidade como essa, que não estava programada, é um grande batismo. É interessante ver como isso contribui para o amadurecimento deles”, afirma. Para o estudante Mateus Vasconcelos, de 18 anos, a maior dificuldade foi aprender a lidar com a correria. “Foi difícil conseguir controlar a câmera na correria e saber me comportar nessa situação. Para mim, foi uma iniciativa muito interessante da professora nos levar para participar do dia-a-dia de um jornalista”, conta ele.

 

Os estudantes colocam em prática os conceitos aprendidos em sala de aula e se saem bem na cobertura do protesto | Foto: Ana Lúcia Araújo
Os estudantes colocam em prática os conceitos aprendidos em sala de aula e se saem bem na cobertura do protesto | Foto: Ana Lúcia Araújo

 

 

Essa experiência pode ser considerada um exemplo de metodologia ativa do aprendizado, que tem como objetivo fazer com que os estudantes aprendam a participar da construção de seu próprio conhecimento, diferente da metodologia tradicional, em que o professor é o principal transmissor do ensino. Segundo a professora, psicóloga e coordenadora da Academia de Professores da ESPM, Joyce Ajuz, as novas gerações são multitarefas e capazes de adquirir uma postura ativa nesse processo. “Ao participar do processo de construção desse conhecimento, eles desenvolvem as três principais competências dessa metodologia: conhecimento, habilidade e atitudes”, disse. Ao participar de situações reais ligadas aos métodos teóricos da profissão, os estudantes têm a chance de elevar a qualidade de entendimento. “É muito diferente quando eles vão a campo e vivenciam as situações. O que é importante na metodologia ativa é ter o antes, o durante e o depois. Antes eles estudam, pesquisam e entendem teoricamente como é o fato para saber agir durante a situação; depois, eles discutem e refletem o que vivenciaram. Esses são momentos que fazem com que a aprendizagem fique mais solidificada”, afirma.

 

 

 

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