Servidores invadem a Alerj durante protesto contra pacote de corte de gastos

A manifestação dos servidores estaduais, que começou por volta das 9h, teve seu ponto alto com a invasão do prédio da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) às 15h30m e se prolongou pelo fim da tarde.  Os manifestantes protestaram contra o pacote de corte de gastos enviado pelo governador Luiz Pezão para votação dos deputados estaduais, que prevê entre outras medidas o desconto de 30% nos salários dos servidores ativos e inativos. Segundo  policias que atuam no Centro Presente, o protesto reuniu cerca de 15 mil pessoas e provocou interdições parciais de ruas do Centro e o fechamento total da Rua Primeiro de Março. Somente às 17h30m foi liberada parte da pista.

Outras medidas do pacote são o aumento do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), a suspensão de reajustes salariais, o fim de programas sociais, suspensão de reajustes salariais, o corte de cargos comissionados, além da autorização para recorrer aos fundos de outros poderes para pagar servidores. Segundo declarações do governo, ao site O Globo,  o resultado dessas medidas seria um ganho de arrecadação de R$ 13,4 bilhões em 2017 e de R$ 14,76 bilhões no ano seguinte. O governo estadual alega também que, se nada for feito, o rombo nos cofres públicos poderá chegar ao fim de 2018 em R$ 52 bilhões.

No protesto, os manifestantes levaram faixas em português e até inglês, usaram carro de som, megafone e uma fumaça azul que foi usada por policiais militares para representar a sua corporação.

O Bombeiro Militar, de 53 anos, Valdemir Jesus, disse que é inadmissível os descontos dos salários, não só no caso dos bombeiros. “O Bombeiro Militar, a Polícia Civil e a Polícia Militar e todas as categorias de servidores vão ficar na penúria, nossos salários já estão sendo parcelados e as datas estão sendo sempre modificadas. Temos dívidas para pagar, escola, faculdade dos filhos, impostos. Estamos indignados e estamos aqui hoje porque nós queremos justiça.”

Ele acredita que depois dessa manifestação o governo se posicionará: “O Pezão e toda a equipe que faz a assessoria dele, está vendo a nossa indignação. Aqui é o povo do Rio de Janeiro, eu acredito que eles acordem, porque o Estado está falido e não é essa melhor atitude. A melhor atitude a fazer é tirarem deles, perdoaram a dívida de várias empresas, ai eu pergunto, quem vai perdoar as dívidas de todos que estão aqui? De todos os servidores? Ninguém.”

Em entrevista ao site O Globo o governador Luiz Fernando Pezão afirmou acreditar na aprovação do pacote de corte de gastos. “Vai demandar um grande debate, mas vai se avançar muito. O Estado não pode ficar nessa situação. Evidente que são medidas duras, mas necessárias. Acho que nós vamos construir uma maioria para aprovar. Acredito que teremos na faixa entre 40 e 50 votos, que será suficiente para aprovar a maioria” disse.

O aposentado Joel Santos, de 83 anos, que trabalhou na Secretaria de Fazenda levou para o protesto um cartaz . “Os nossos direitos estão sendo prejudicados e os ladrões continuam cheios de dinheiro. Nenhuma medida é tomada para recuperar o dinheiro público desviado”.

O aposentado Joel Santos apoiou os manifestantes hoje. Foto: Ana Clara Mello
O aposentado Joel Santos apoiou os manifestantes hoje. Foto: Ana Clara Mello

A auxiliar de enfermagem Débora Faria, de 48 anos, estava indignada: “É um absurdo o  governo querer tirar de nós servidores 30% do nosso salário. Vou passar fome. Estou há 17 anos sem aumento, eu vou passar fome, eu e minha família. Eles (o governo) vão ficar recuados, porque eles estão vendo que todos os servidores estão na rua para brigar.”

Amanhã, às 19h acontecerá no Complexo Penitenciário de Bangu uma assembleia que definirá a continuidade da greve.

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