A paixão pelo jornalismo investigativo

Vinícius Assis, do site "E aí, vereador?" na terceira mesa do primeiro dia da lll Semana de Jornalismo da ESPM Rio | Foto: Beatriz Bastos
Vinícius Assis, do site “E aí, vereador?” na terceira mesa do primeiro dia da lll Semana de Jornalismo da ESPM Rio | Foto: Beatriz Bastos

Ameaças, dificuldades na apuração e meses de trabalho. Esta é a rotina dos jornalistas investigativos, segundo revelaram Guilherme Amado, vencedor do Prêmio Esso  Regional Sudeste e repórter da coluna Lauro Jardim, de O Globo, e Vinícius Assis, criador do site E aí, vereador?, durante a mesa Jornalismo Investigativo, na III Semana de  Jornalismo da ESPM Rio. Os dois também discutiram desde jornalismo independente até os riscos encarados na profissão, além das dificuldades no processo de apuração, mesmo quando amparados pela Lei de Acesso à Informação.

 

Assis dividiu, com quem assistia, as dificuldades encontradas no início de seu projeto, o site  ˜E aí, vereador?”, pontuando dois obstáculos iniciais: o financiamento e a falta de conhecimento por parte das assessorias de imprensa. Ele se queixou também de como os órgãos não cumprem com o que está proposto na Lei de Acesso à Informação, o que, às vezes, o obriga a fazer reclamações ou entrar na justiça para conseguir informações a que tem direito. Contou que está, atualmente, movendo uma ação contra a Câmara de Vereadores por quatro pedidos negados dentre 13 feitos. “Hoje, eu não busco as informações pelas assessorias de imprensa, mas pela Lei de Acesso”, revelou.

 

Amado começou sua palestra contando um pouco da sua trajetória desde a época em que foi estagiário do Extra até os dias  de hoje, em que atua como repórter na coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo. O jornalista contou para a plateia todas as dificuldades que enfrentou para fazer o especial  “Os Embaixadores do Narcosul”. A matéria retratava toda a rota do tráfico de drogas na América do Sul.  A reportagem, do jornal O Extra, lhe rendeu o Prêmio Esso Regional Sudeste 2014.

Guilherme Amado em sua palestra, apresentando a séria vencedora do Prêmio Esso "Os embaixadores do Narcosul"| Foto: Beatriz Bastos
Guilherme Amado em sua palestra, apresentando a séria vencedora do Prêmio Esso “Os embaixadores do Narcosul”| Foto: Beatriz Bastos

 

Assis ressaltou as diferenças entre o jornalista independente e o que trabalha dentro de uma redação. Agora, ele é responsável por pensar em todo o conteúdo de seu site junto com mais dois parceiros, preocupando-se com a produtividade da plataforma. “Hoje, eu me considero uma agência de notícias ambulante”, brincou. Ele disse também que o maior patrimônio que ele tem é a credibilidade, e que, acima de tudo, o jornalista tem que ter caráter para exercer bem a profissão. “Temos que ter um olhar voltado para a diferença que a nossa profissão pode fazer na sociedade”, completou.

 

De acordo com Amado,  o jornalista atual precisa ser empreendedor. E foi esse seu lado inovador que permitiu que a série sobre o Narcosul, sobre o narcotráfico na América do Sul, pudesse ser feita.  Co-financiada pelo Intstituto Prensa y Sociedad, o investimento recebido permitiu que o repórter pudesse viajar durante 5 meses por toda a América do Sul apurando a matéria. Amado também afirma que a profissão exige dedicação. “Se é o que você gosta, vai fundo, mas já sabendo que tem que gostar muito. O jornalismo investigativo dá trabalho, é sacrificante, mas é uma delicia”, contou.

 

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