III Semana de Jornalismo ESPM Rio debate Jornalismo Investigativo

Vinícius Assis, do site “E aí, vereador?”, e Guilherme Amado, que atua como repórter na coluna “Lauro Jardim”, do jornal O Globo, estarão presentes no primeiro dia da III Semana de Jornalismo ESPM Rio, que acontecerá no próximo dia 31, na instituição (Rua do Rosário, 90 – Centro). Abordando o tema escolhido para a terceira edição do evento – “Os desafios do novo comunicador” -, os jornalistas darão palestras e participarão de um debate sobre Jornalismo Investigativo.

 

O site “E aí vereador?”, do qual Vinícius é o fundador, tem como missão fazer “jornalismo político, e não política com jornalismo”, assim como buscar o máximo de clareza possível na atuação das Câmara Municipais. Vinicius conta que obstáculos na apuração são  recorrentes em sua rotina. “Os primeiros entraves foram a falta de transparência das Câmaras. Elas não cumprem com a Lei de Acesso à Informação, dificultam nosso trabalho, mas ele continua sendo feito do mesmo jeito”, disse o jornalista. Segundo Vinícius, a internet diminui os obstáculos ao jornalismo investigativo: “A internet facilitou o acesso a informações. Por exemplo, as atas das Câmaras e o próprio Diário Oficial estão na internet. Você pode até assistir à sessão online”.

 

Ele alerta que, para ser jornalista investigativo, é preciso haver um desejo muito grande. “É muito fácil você achar que o jornalismo investigativo é glamouroso, que só tem aquele lado de publicar uma grande reportagem. Até chegar a isso, existe um trabalho muito grande, exaustivo e nada glamouroso, que nem todo mundo está disposto a fazer. A cada reportagem investigativa, você faz amigos, mas você também faz inimigos, tem o ônus e o bônus. Só quem realmente gosta está disposto a pagar esse preço”, explica Vinícius.

 

 

Guilherme Amado, à esquerda, e Vinícius Assis, à direita | Foto: divulgação
Guilherme Amado, à esquerda, e Vinícius Assis, à direita | Foto: divulgação

 

Guilherme Amado, vencedor do Prêmio Esso Regional Sudeste de 2014, com a série de reportagens sobre narcotráfico na América do Sul – “Os embaixadores do NarcoSul” -, publicada no jornal Extra, conta que um de seus maiores obstáculos  foi o fato de não conhecer os lugares onde trabalharia e explica: “Eu nunca tinha viajado para o Peru, para a Bolívia nem para o Paraguai. Deixei a viagem para os três lugares como última parte da reportagem. Primeiro, eu fiz a apuração no Brasil e concluí o início dela, que foi montar o mapa de fontes e encontrar todas que eu confiava e que atendiam aos critérios importantes. Essas me ajudaram a ter contato com informantes tão qualificados quanto eles nesses outros três países”.

 

Para o repórter, não ter fontes e não saber como funcionam os sistemas judiciários desses países também foram grandes empecilhos. Ele conta que, antes da apuração nos países estrangeiros, fez uma pesquisa muito grande e se preparou para questões de segurança. “O planejamento foi fundamental. Viajei com um fotógrafo. Não fui sozinho para nenhum dos destinos. Além da segurança, tive uma maior qualidade do material. Outra precaução que tive foi ter uma  uma pessoa de confiança a quem eu pudesse recorrer em casos de emergência em cada lugar visitado”, contou o jornalista.

 

Por ser uma reportagem de tema delicado, o repórter não pôde usar a internet em algumas partes da sua apuração. “Eu usei informações que foram muito sigilosas, que não estavam disponíveis na internet e que tive de colher com as fontes”. Apesar desses momentos,  Guilherme acredita que a rede é uma fonte inesgotável de informações, ressalvando que podem ser qualificadas ou não. Para ele, a internet  tem cada vez mais informações que estão à disposição dos jornalistas, isso é um caminho sem volta e que é muito positivo para os repórteres

 

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