Ato "Ni Una Menos" reúne mulheres contra violência

No final da tarde da última terça-feira (25), ocorreu no Rio de Janeiro um ato em apoio às mulheres argentinas vítimas de estupro, assassinato e outras formas de violência. A concentração aconteceu em frente à Assembleia Legislativa (Alerj) às 17h e, por volta das 18h30, as mulheres deram inicio à caminhada, carregando balões lilás e cartazes, até a Cinelândia.

 

O ato foi encerrado com uma roda onde as mulheres contaram abertamente casos de violência que sofreram. O estupro e assassinato de Lucía Pérez, de 16 anos, na Argentina, foi o estopim para a organização das manifestações “Ni Una Menos” (“Nenhuma a Menos”) naquele país e em outros lugares da América Latina.

 

No Brasil, atos de protesto como esse já tinham ocorrido após o caso que aconteceu em 21 de maio no Rio de Janeiro, quando uma adolescente também de 16 anos sofreu um estupro coletivo. A indignação contra esse crime fez surgir o movimento “Por todas elas”, em junho desse ano, levando mulheres brasileiras às ruas contra esse tipo de violência.

 

Andrea Machado de 32 anos, trabalha com editoração de vídeo e é uma das organizadoras tanto do “Por todas elas” quanto do “Ni Una Menos” no Brasil. Ela explicou como foi feita a organização do evento: “Aqui no ato, existem pessoas de coletivos, de movimentos e de partidos, mas quando a gente cria o ato de forma horizontal, a gente fala por todas as mulheres”.

 

Andrea contou também que a iniciativa do ato partiu da atriz Giselle Itiê, de 34 anos, nascida no México e radicada no Brasil desde os quatro anos. “Quando aconteceu esse caso da Lucía, na Argentina, e que a América Latina em geral estava se movimentando para dar esse grito, eu comecei a questionar e procurar se teria algum ato no Brasil, entrei em contato com as meninas que organizaram o ‘Por todas elas’ em junho e falei ‘Vamos fazer?’. Agora estamos aqui e é muito lindo perceber o quanto estamos com força e o quanto queremos fazer diferente”, disse Giselle.

 

A primeira faixa, que vinha na frente do protesto, era levada por mães com crianças do movimento “Mães e crias na luta” , que incentiva as mulheres a levarem seus filhos aos atos e não deixar de participar das manifestações pelo que acreditam. Maria Souto, musicista de 33 anos, é uma dessas mães. Ela diz ter vontade de construir um mundo para seu filho com o mínimo de igualdade de gênero. “O que eu preso na educação dele é que ele tenha respeito pelas mulheres”, contou Maria.

 

Grande parte das mulheres no evento seguiram a diretriz lançada pelas argentinas: se vestir de preto e usar hashtag nas redes sociais da campanha #NiUnaMenos. Durante o protesto ,era possível identificar figuras  públicas como a cantora Zélia Duncan, de 51 anos, que contou o motivo de estar no ato: ” Isso é uma desgraça da América Latina, diz respeito a toda nós. A cada mulher que é agredida, que é violentada e assassinada, estão fazendo isso com todas nós, e é por isso que eu estou aqui”.

 

Segundo a Polícia Militar, o público foi estimado entre 500 e 600 pessoas. O evento na rede social possuía 7,3 mil confirmações.

Começo do ato na ALERJ
Começo do ato na Alerj. Foto: Rosana Freitas
Durante o (ato) Ato, mulheres compartilharam histórias de violência que sofreram.
Durante o ato, mulheres compartilharam histórias de violência que sofreram. Foto: Rosana Freitas

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