´O Brasil desconhecia uma de suas piores tragédias´

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Equipe de produção do documentário no debate após a exibição
Foto: Matheus Castro

O documentário “Holocausto Brasileiro”, baseado no livro-reportagem homônimo escrito pela jornalista Daniela Arbex, foi exibido no último dia 14, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Festival do Rio, evento que reuniu filmes de mais de 60 países e terminou no dia 16 de outubro. “Holocausto Brasileiro” retrata a história do maior hospital psiquiátrico do Brasil: Hospital Colônia de Barbacena, em Minas Gerais. Inaugurado em 1903, o lugar abrigou pessoas com doenças mentais e tuberculose por mais de 80 anos e, segundo relatos do documentário, o hospital “sempre foi depósito” de pessoas indesejadas por suas famílias. Daniela dirigiu e produziu o filme junto de Armando Mendz e da Vagalume Filmes, em parceria com a HBO Latin America.

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Daniela Arbex dando autógrafo após o término da sessão do documentário
Foto: Cecília Santos

“Eu descobri que o Brasil desconhecia uma de suas piores tragédias”, afirmou Daniela, ao referir-se ao descaso com o qual os internos eram tratados, o que resultou na morte de 60 mil pessoas.  Além disso, mais de 70% dos pacientes não apresentavam qualquer diagnóstico de deficiência mental ou tuberculose. A jornalista reforçou a necessidade da divulgação de dados sobre a situação vivida pelas pessoas que foram internadas neste hospital: “Indiferença provoca barbárie”, declarou.

 

Para José Carlos de Almeida, um dos personagens do longa, cuja mãe foi internada no Colônia, o que houve no hospital foi uma atrocidade. Ele diz que era “um lugar onde as pessoas descartavam as outras” e que as consequências das internações atingiram também seus filhos. Almeida relata que até os nove anos de idade não sabia que tinha mãe. “Meu pai colocou minha mãe lá para se livrar dela, ele faleceu e ela continuou lá”, contou ele.

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Foto: Divulgação | Luiz Alfredo
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Foto: Divulgação | Luiz Alfredo

O contato de Arbex com a história do hospital começou em 2009, quando viu pela primeira vez as fotos tiradas pelo fotografo Luiz Alfredo, em 1961 no local. “Ainda não sabia nada sobre essa história e a primeira coisa que quis fazer foi buscar os sobreviventes”, relata. O livro, que deu origem ao documentário, foi lançado apenas em 2013, após um “processo muito longo de apuração” sobre as histórias dos sobreviventes e das famílias dos que não sobreviveram.

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