Papel da mídia na formação da memória marca palestras do III Ciclo ESPM – Brasil: Múltiplas Identidades

A formação da memória e o papel da mídia na fixação delas foi o tema abordado pela pesquisadora Lucia Santa Cruz em sua apresentação no III Ciclo ESPM – Brasil: múltiplas identidades, que aconteceu na última terça feira (04). Lucia defende a ideia de que ao perder a noção do futuro, perdemos também a esperança no presente e por isso, nutrimo-nos de experiências passadas.  Defende que nem sempre a construção da memória se dá por vivências, mas sim pela ação de vários agentes, principalmente a mídia. “A memória cultural que a gente tem  é socialmente construída, e a gente só lembra porque todos nós lembramos”, afirma Lucia.

 Lucia Santa Cruz, abordando o tema de sua pesquisa
Lucia Santa Cruz
aborda o tema de sua pesquisa | Foto: Bernardo Falcão

 

 

 

Além dela, os palestrantes Isabella Perrotta, Thalita Ferraz e Vitor Azambuja também abordaram o tema “memória”, com enfoques que iam desde a memória propriamente dita à recuperação delas através de animações que retomam a infância. As palestras, que aconteceram no Centro Cultural da Light, foram assistidas por alunos, professores e pesquisadores convidados pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

 

 

A professora do curso de design Isabella Perrotta tem seu projeto de pesquisa num formato de banco de depoimentos orais, acervo que guarda entrevistas com grandes nomes da área. Um dos exemplos é  o designer alemão Karl Heinz Bergmiller, um dos responsáveis pela implantação da profissão, do ensino e do conceito de design no Brasil. Ele também  é o autor da frase que dá nome ao projeto de Isabella:  “Há 50 anos comendo e lavando, comendo e lavando…”. “É muito revelador do que é design para Bergmiller: é um produto que há 50 anos ele usa e lava diariamente, e o produto continua na maior qualidade. Isso é design”, explica Isabella.

Da direita para a esquerda: Luciano Tardin, Vitor Azambuja, Thalita Ferraz, Isabella Perrota e Lucia Santa Cruz no momento do debate | Foto: Bernardo Falcão

 

Thalita Ferraz, professora da ESPM Rio, abordou em sua palestra assuntos relacionados aos impactos do desaparecimento dos cinemas de rua e questões ligadas a algumas iniciativas em prol da reabertura e manutenção desses espaços.  Além disso, falou sobre o papel dos cinemas de rua na construção de laços de sociabilidade, memória e espaço urbano. “Um lugar que, se preservado ou quando reestruturado e reaberto, é capaz de ativar memórias afetivas ligadas às nossas vivências dessa prática de ida ao cinema”, conta Thalita, referindo-se às salas de cinema como um equipamento de lazer urbano.

 

 

Apresentando o projeto “De Criança Para Criança”, Vitor Azambuja mostra que seu período como desenhista e seu dia-a-dia como publicitário o levaram a uma inspiração na hora de ver o mundo das crianças de uma maneira diferente. O projeto se iniciou a partir de desenhos de seus filhos, quando teve a ideia de animá-los e criar histórias, que posteriormente ganharam narração feita por outras crianças. Para Azambuja, o nome simboliza a particularidade da linguagem das crianças, já que muitas vezes os adultos têm dificuldade de entender o significado dos desenhos. Vitor conta como o projeto é bacana e simples, pois o produto final é inovador e diferente. “Eu fui um péssimo aluno na escola, horroroso, a vida inteira eu quis sair da escola. Hoje, com cinquenta anos, eu quero continuar sendo criança”, disse.

Vitor Azambuja, publicitário, mostra seu projeto " de criança para criança"
Vitor Azambuja, publicitário, mostra seu projeto ” de criança para criança” | Foto: Bernardo Falcão

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Confira no link a reportagem em vídeo completa da cobetura: https://www.youtube.com/watch?v=RUCs9CHP5Os

 

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