A polêmica e o tabu sobre bombas e proteínas

O uso de bombas e proteínas é um assunto polêmico entre a população e especialistas. Ele continua sendo um tabu. “A proteína é algo que o corpo precisa para a construção da massa muscular e para gerar energia para o corpo, já a bomba altera as taxas hormonais do nosso corpo, além de ser algo que modifica o funcionamento natural do organismo. Quando o atleta toma suplemento à base de proteína, o objetivo é repor o que foi gasto durante os treinos. No entanto, os nutricionistas orientam que a dosagem não pode gerar excesso e sobrecarregar os rins”, afirma Lilia Godoi, de 42 anos, que é professora de Educação Física.

 

 

As dúvidas sobre esse assunto são recorrentes, pois o uso de proteínas e bombas varia de acordo com o objetivo da pessoa. De acordo com o nutricionista e personal trainer Felipe Amarano, de 25 anos,  o uso de anabolizantes é um tabu para a sociedade, pois é um assunto muito polêmico : “as pessoas preferem dizer que não usam por uma questão de ética, de não incentivar, por uma questão de complexidade. Dizer que não usa é evitar grandes discussões e polêmicas que podem até gerar brigas.”

Proteína Creatina, ela está locallizada na loja Vitamina D, no centro da cidade.Foto: Luisa Lins
Proteína Creatina, à venda na loja Vitamina D, no centro do Rio/Foto: Luisa Lins

 

Para o universitário Francisco Tuchler, de 25 anos, o uso de proteínas já foi algo importante na sua vida. Ele começou a frequentar academia com 20 anos e atualmente não vai mais. Ele conta que usou creatina, whey e BCAA durante um ano. “Eu tive vontade de começar a usar porque pesquisei na internet e escolhi os suplementos que não fossem me causar mal. Para mim, das três proteínas, a que teve uma transformação mais significativa foi a creatina pois não gerou efeitos colaterais como o whey, e atuou de maneira rápida, possibilitando um crescimento muscular.”

 

 

De acordo com o personal trainer Rodrigo Rodrigues, de 46 anos, existem alguns aspectos importantes no uso de suplementos ou bombas. “ Esses suplementos muito usados dão resultado, sim, mas o principal fator é sempre a dieta, seguida  de um bom treinamento e descanso. Suplemento nenhum faz milagre e não é comida para substituir suas refeições. Além disso, muitos alunos meus já usaram sem autorização, e isso é um problema, pois possuem efeitos colaterais perigosos, tanto físicos quanto psicológicos. Os jovens estão em fase de desenvolvimento e isso pode interromper o crescimento. Em mulheres, podem causar mudanças  na voz e também na genitália”. Rodrigo cita ainda alguns tipos de efeitos colaterais: uma quantidade maior de acne, aumento de pelos na face e no corpo, alteração no timbre da voz, tornando-a mais grave, queda de cabelo, mudança no ciclo menstrual, risco de infertilidade, aumento de clitóris, irritabilidade,  insônia e doenças cardíacas.

 

 

Para Flávia Assunção, presidente da Sociedade de Endocrinologia e Metabologia regional do Rio De Janeiro, outros  efeitos além dos já citados, são:  alterações hepáticas, trombose, comportamento agressivo, paranoia, alucinações. Além disso, a especialista aponta que, numa pesquisa futura, serão analisadas 4500 amostras de urina e 1000 de sangue. O objetivo é identificar de que maneira essas substâncias agem no corpo do usuário.

 

 

Segundo a estudante Layla De Freitas, de 17 anos,  a sua vida na academia começou aos 12 anos. Ela toma diariamente proteína e com isso consegue alcançar o objetivo de ganhar massa muscular. “Eu uso a proteína isolada. Meu pai no início não aceitava, mas depois que mostrei para ele o que realmente era aquela suplementação, ele aceitou e não viu problema”.

 

 

Para a nutricionista, personal diet e fisioterapeuta Paula Fernandes da Cunha, o que ela mais observa são pacientes usando suplementos sem orientação: “geralmente os pais nem sabem que o filho faz uso destes produtos quando são maiores de idade. Já para os menores de idade,  os pais vão junto e os responsáveis entendem quando eu digo que não vou prescrever, pois muitos são jovens demais e explico as consequências.” Paula dá algumas recomendações para quem utiliza essas substâncias:”o esteroide ou bomba eu não recomendo, já o Whey protein, BCAA e glutamina eu costumo prescrever duas vezes por dia em horários determinados.”

 

Diferentemente de Layla, o estudante  Melvin Mello, de 18 anos,  tem vontade de utilizar bomba, porque atualmente só usa proteína.As fotos mostram o antes e depois de Melvin em relação ao uso de proteína.”Quero ser atleta e acho que um esporte de alto rendimento como o fisiculturismo precisa de um uso de hormônios, mas sempre com acompanhamento médico. Para ele, convencer a família foi fácil “meu tio e minha tia começaram a aceitar esse fato, e então me obrigaram a fazer todos os exames para olhar meu corpo. Meu pai, já falecido, achava que eu já usava porque o processo foi rápido, mas isso não é verdade. As pessoas confundem o que é suplemento e o que é bomba. Já usei muita proteína, mas agora gostaria de trocar pela bomba”.

 

 

 

Melvin Mello, de 18 anos, depois de usar proteína | Foto: Arquivo Pessoal
Melvin Mello, de 18 anos, depois de usar proteína | Foto: Arquivo Pessoal
Melvin Mello, de 18 anos antes de começar a usar a proteínas | Foto: Acervo pessoal
Melvin Mello, de 18 anos antes de começar a usar a proteínas | Foto: Acervo pessoal

 

 

 

 

 

 

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